Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Jim DeMint Presses Senate to Audit the Fed!
Sábado, 4 de Julho de 2009
Sobre a natureza do PT
2009-07-03
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sobre-a-natureza-do-pt/
Sobre a natureza do PT
sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 18:46
No post anterior, ironizo o modo petista de governar, afirmando que é mesmo “uma revolução”, sugerindo, é óbvio, que os petistas repetem os vícios que tão tristemente caracterizam a política no Brasil.
Ao escrever tal coisa, lembro de críticas que me fazem alguns petistas moderados — os, digamos, imoderados acreditam que não é bem “crítica” o que mereço… — e até alguns amigos: “Mas, então, por que você parece ser mais severo com o PT do que é com as outras legendas?”
Com efeito, só pareço. Se o PT está muito mais presente neste blog é porque está no poder e porque, bem…, vocês sabem, o partido é bastante imoderado em matéria de transgredir códigos e condutas. Adiante.
Admito, no entanto, que há um tipo de crítica de que o PT, no meu texto, é alvo mais freqüente. Aliás, sempre admiti isto e acho absolutamente justo e justificável. Começo pelo exemplo e depois chego ao conceito.
O pecado, pouco importa quem o cometa, é uma só. Não é o pecador que define o pecado, mas a natureza do seu ato. Assim, pouco importa se é A ou B a cruzar a linha do aceitável. Não é o transgressor que faz os mandamentos. Mas como ignorar que o pecado de um sacerdote tem um agravo adicional, associando a hipocrisia ao malfeito essencial? Como ignorar que a ilegalidade patrocinada pela autoridade é mais perniciosa do que aquela praticada pelo cidadão comum?
É evidente que o PT nunca foi sacerdote de porcaria nenhuma! É evidente que o PT nunca teve especial autoridade moral para enfiar o dedo na cara dos adversários! Quem viveu, inclusive, os primórdios da formação do partido sabe muito bem disso. Parte dos métodos que Lula emprega na Presidência é herança de sua atuação como sindicalista. E muitos são impróprios para consumo humano.
Mas é inegável que o petismo se queria — e alguns ainda investem nisto — monopolista da “ética na política”. Quantos foram os atos públicos que o partido promoveu, em quase 30 anos de existência, levantando tal bandeira? Se todos aqueles que o partido acusou das piores coisas tivessem sido ou fossem mesmo culpados, vá lá. Ainda que os petistas incorressem agora nos mesmos erros, isso não tornaria seus adversários inocentes.
Mas também essa hipótese é mentirosa. O partido está pouco se lixando para culpas e inocências. Essa clivagem, feita no passado, era só a fachada da distinção que realmente lhe interessa: “está comigo” ou “não está comigo”. Quem está é inocente mesmo que seja culpado. E quem não está é culpado mesmo que seja inocente. Uma mesma personagem pode viver as duas situações. É o caso de Sarney. Em palanque, no passado, Lula o acusou de muita coisa que ele não fez. Hoje, na Presidência da República, Lula tenta ignorar tudo o que ele fez. Os inimigos serão sempre alvos da máquina de sujar reputações. Os amigos serão sempre beneficiados pela lavanderia.
E isso, lamento dizer, é, sim, tipicamente petista. Porque o partido quer, a despeito dos métodos os mais detestáveis, falar ainda em nome de uma utopia. E sua única utopia é, na prática, exercer o poder como partido único, abrigando, se preciso, em suas fileiras a esquerda mais doidivanas e a direita mais estupidamente reacionária. Se ele tiver a hegemonia do processo, cabe qualquer coisa em seu guarda-chuva.
Acho que o texto ficou bem claro, não?
ENCONTRO DE TITÃS
2009-07-03
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/encontro-de-titas/
ENCONTRO DE TITÃS
sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 18:15
Leiam o que Informa Leonencio Nossa, no Estadão Online. Volto depois:
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta sexta-feira, 3, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não pedirá licença ou renunciará ao comando do Senado. Em encontro de quase duas horas, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Sarney avaliou que a oposição está tirando proveito da crise para criar problemas para o governo e assumir o controle do Senado, segundo informou um auxiliar direto de Lula à Agência Estado.
O senador disse ainda que espera liderar o “processo de normalidade” com apoio da base e de “quem mais estiver interessado”. Lula, segundo essa mesma fonte, concordou com as avaliações de Sarney e disse que apóia a disposição do senador de liderar o processo de restabelecimento de normalidade da instituição.
Durante o encontro, Sarney apresentou ao presidente Lula o documento que enumera 36 ações adotadas pela Comissão Diretora para dar eficiência e transparência às decisões administrativas do Senado.
O documento destaca uma economia de aproximadamente R$ 10 milhões por ano nos dois primeiros contratos de fornecimento de mão de obra; a mudança na regulamentação das cotas de passagens aéreas dos senadores, com a economia de 30%; a redução em 10% das despesas gerais do Senado; redução da taxa de juros dos empréstimos consignados para patamar máximo de 1,6% ao mês; e a solicitação à Polícia Federal para que investigue os empréstimos consignados aos servidores, bem como as empresas que o operaram.
Comento
Bem, Sarney disse a Lula o que Lula, em tese, já havia dito a Sarney, que, por sua vez, repetiu o que o próprio Sarney havia dito a Dilma naquele tal “ato secreto”.
É formidável a capacidade dessa gente de abusar da ignorância do próximo. A oposição integra a atual Mesa do Senado. Não existe um confronto entre governistas e oposicionistas na direção da Casa — as divergências, quando existem, dizem respeito a matérias que estão em votação. Se Sarney renunciasse, nova eleição seria feita, e um governista seria eleito. Assim, a tese da tentativa da oposição de tomar o Senado é uma dessas mentiras físicas, entendem? Nem mesmo se pode dizer que, a depender do ponto de vista, a coisa faz sentido. Não faz.
Mais: o afastamento ou renúncia de Sarney seria só uma forma de dar alguma credibilidade à investigação de irregularidades. Por que isso seria necessário? Porque ele próprio foi, até agora, o maior beneficiário individual dos atos secretos. Ninguém o está acusando de ser o culpado de tudo desde as capitanias hereditárias.
Bem, o fato é que o encontro de Sarney com Lula serviu para o senador lembrar ao presidente que eles estão juntos nessa, até o fim. O presidente da República que trate de defender o Presidente do Congresso. Unidos contra a investigação das irregularidades e a punição aos faltosos.
Como vocês vêem, o PT realmente representou uma revolução no modo de governar.
Currículo de Celso Amorim também não coincide com os fatos
2009-07-03
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/curriculo-de-celso-amorim-tambem-nao-coincide-com-os-fatos/
Currículo de Celso Amorim também não coincide com os fatos
sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 20:17
Escreve Malu Gaspar no Portal Exame:
Depois do post sobre a pós-graduação que o neto de José Sarney diz ter feito, mas não fez, recebi várias dicas de personagens que também ostentam títulos que não têm. Um deles é o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Seu currículo na página do Itamaraty na internet diz que o chanceler tem doutorado em ciência política pela London School of Economics (LSE). Em artigos para a imprensa, o ministro também usa o título “doutor em ciência política pela LSE“. Mas a informação que obtive da própria escola, por email, é que Amorim nunca concluiu seu doutorado. Em resposta ao meu pedido de informações, a LSE enviou um link para a transcrição de uma palestra feita por Amorim em 2006 na universidade. Em Londres, ele passou boa parte de sua fala se justificando: “nunca terminei meu doutorado, provavelmente por causa do meu excesso de ambição à época. O tempo da academia e da burocracia não coincidiram, então fui transferido para Londres antes que pudesse terminá-lo. Estranho, né? Por que será que Amorim diz aos brazucas que é doutor se a história, como ele contou para os ingleses, é bem diferente?
Comento
Pois é… O currículo de Amorim não coincide com a verdade. E o do Itamaraty, sob o seu comando, idem.
Como é mesmo?
No petismo, quem não tem diploma se orgulha de não tê-lo; quem se orgulha de tê-lo não o tem.
DEPOIS DE POST, CASA CIVIL MUDA CURRÍCULO DE DILMA. MAS CADÊ A DISSERTAÇÃO?
2009-07-03
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/depois-de-post-casa-civil-muda-curriculo-de-dilma-mas-cade-a-dissertacao/
DEPOIS DE POST, CASA CIVIL MUDA CURRÍCULO DE DILMA. MAS CADÊ A DISSERTAÇÃO?
sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 19:46
Ih, a Casa Civil lê o blog! Que medo!!!
Já mudaram o currículo da Sapientíssima depois que publiquei aqui as incongruências entre a ficha e a verdade.
Estava assim até havia pouco:
Dilma Vana Rousseff é Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cursou Mestrado e Doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp).
Ficou assim:
Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi aluna de mestrado e doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Campinas (Unicamp), onde concluiu os respectivos créditos.
Então não é mestre. Então não é doutora. “Concluir os créditos”, no caso, quer dizer que não entregou a dissertação de mestrado. Sem ela, nada feito! É tão mestre quanto eu sou. Com a diferença de que lanço umas 30 teses por dia aqui, rá, rá, rá.
Agora é preciso corrigir as informações do Sistema Lattes. Lá está a data de conclusão do mestrado, o nome da tese, tudo…
1978 - 1979 - Mestrado em Ciência Econômica.
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil.
Título: Modelo Energético do Estado do Rio Grande do Sul, Ano de Obtenção: 1979.
Orientador: João Manoel Cardoso de Mello.
Vejam ali: “ano de obtenção”! Obtenção do quê? Do mestrado, ora. Mas cadê o mestrado? Pois é… Eu tenho uma tese (mais uma, que não chega a ser de doutorado, hehe): Dilma não conseguiu levar adiante o seu projeto porque, no título de sua dissertação, faltaram os dois pontos. Toda tese tem de ter dois pontos. Assim:
- A Plantação de Abobrinhas no Reino Encantado de Banânia: Uma Interpretação Crítica;
- Currículo Falso e Nova Elite no Brasil: Uma Abordagem S(i)miológica;
- A Mentira como Política: Fichas Falsas e Vigilância Epistemológica
Sem os dois pontos, uma tese ou uma dissertação se perdem no vazio. É preciso haver o subtítulo que caracteriza aqueles afunilamentos que fazem com que certas teorias mergulhem na mais absoluta, poética e encantadora irrelevância.
Quando Dilma retornar à vida acadêmica - torço para que seja já em 2011 -, ela precisa ver o que fazer. O diabo é que a não-dissertação é de 1979. Trinta anos! E agora? Sei lá. Como o ”Modelo Energético do Estado do Rio Grande do Sul” deve ter mudado consideravelmente nesse tempo, ela poderia aproveitar para, mesmo sem mestrado e sem doutorado, fazer já uma tese de pós-doutorado: “Modelo Energético do Estado do Rio Grande do Sul: Como não Escrevi, Também Não Errei”.
E, bem, é inevitável a lembrança, né? O currículo de Dilma se parece com a Inês de Castro de Camões e com o PAC: é aquele que foi sem nunca ter sido. Ela não entregou a dissertação de mestrado. E não vai entregar o PAC também.
DILMA E AS FICHAS FALSAS
2009-07-03
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-e-as-fichas-falsas/
DILMA E AS FICHAS FALSAS
sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 16:48
Nota que está no Painel de hoje, da Folha. Volto depois:
Lattes. Reportagem na próxima “Piauí” questiona o currículo de Dilma divulgado pelo site da Casa Civil. Ali se informa que ela é mestre em teoria econômica e doutoranda em economia monetária e financeira pela Unicamp. A universidade disse à revista que não há registro de matrícula no mestrado e que o doutorado foi abandonado.
Comento
É mesmo, é?
Vamos ver o que diz o currículo de Dilma no site da Presidência, na página da Casa Civil:
Dilma Vana Rousseff é Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cursou Mestrado e Doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp).
Algum espertinho poderá dizer que ali se informa que ela apenas “cursou”… Vocês sabem como eles são quânticos com essa história de verdade e mentira.
Então vamos ao Sistema de Currículo Lattes, feito com base em informações fornecidas pelos próprios acadêmicos (está um pouco desatualizado):
“Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1977) e mestrado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1979) . Atualmente é Secretária de Estado da Secretaria de Energia Minas e Comunicações.”
No item “Formação Acadêmica”, lê-se:
1998 Doutorado em Ciências Sociais.
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil. Orientador: .
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.
1978 - 1979 - Mestrado em Ciência Econômica.
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil.
Título: Modelo Energético do Estado do Rio Grande do Sul, Ano de Obtenção: 1979.
Orientador: João Manoel Cardoso de Mello.
A tese de mestrado de Dilma tem nome, mas nunca foi apresentada. Se não foi, não existe; se não existe, ela não é mestre. Se não é mestre, como pôde fazer o doutorado? Vá lá: universidades brasileiras até admitem que se cursem os créditos do doutorado mesmo sem a apresentação da tese de mestrado. Mas ela tem de ser apresentada um dia. A de Dilma nunca foi. As “fichas” do Ministério e do Sistema Lattes trazem, pois, informações falsas. Ela vai se indignar com esta “falsificação”? Este blog apurou que ela, de fato, fez os créditos dos dois cursos, mas sem a apresentação do trabalho. Sem trabalhos, não há títulos.
É uma pena. Adoraria saber como a ministra cuida da Inculta & Bela em sua tese de mestrado. No cotidiano, os sujeitos e seus respectivos verbos conseguem ter uma convivência mais harmoniosa na sintaxe já bastante pessoal de Lula do que na de Dilma. Vale dizer: a dela é ainda mais pessoal do que a dele. Refiro-me, como vêem, à estrutura. Seus subordinados é que têm mostras eloqüentes do conteúdo. Dia desses, um ministro do primeiro escalão teve de ouvir um “Você é mesmo um costa!” E o que fez o costa? Comportou-se como tal. O que demonstra que ela pode ser deseducada às vezes, mas nem sempre injusta. Bem, de volta ao principal.
O caso demonstra que os petistas e a formação intelectual formam uma dupla estranha: quem não tem diploma se orgulha de não tê-lo e quem se orgulha de tê-lo não o tem.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
USD as reserve currency
Sábado, 27 de Junho de 2009
Chávez abre caminho para oficializar escuta telefônica
2009-06-27
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090627/not_imp393859,0.php
Chávez abre caminho para oficializar escuta telefônica
Projeto aprovado preliminarmente na Assembleia prevê a gravação de todas as chamadas
Ruth Costas
No artigo que trata da "interceptação e gravação de comunicações privadas", o novo texto diz que "os entes públicos ou privados que prestem serviços de telecomunicações criarão unidades permanentes (para trabalhar) 24 horas e 7 dias por semana, sendo encarregadas de processar e fornecer as informações requeridas pelo Ministério Público ou pelas autoridades competentes."
Segundo a oposição o texto também abre a possibilidade para que o Ministério Público ordene gravação das conversas sem ter de pedir a autorização de um juiz. Os governistas negam. "A verdade é que na prática isso não faz muita diferença", explicou ao Estado o cientista político venezuelano Sadio Garavini di Turno, da Universidade Central da Venezuela. "Como o Judiciário está alinhado com o governo, eles teriam pouca dificuldade em conseguir essa permissão."
O projeto agora passará pela Comissão de Política Interior da Assembléia. Seu presidente, o deputado Tulio Jiménez, negou que ele ponha fim ao sigilo telefônico.
A principal empresa de telefonia fixa e serviços de internet da Venezuela, a Cantv, foi uma das primeiras a ser nacionalizada em 2007, logo após o presidente Hugo Chávez anunciar a adoção do "socialismo bolivariano" no país. Mas o setor de telefonia celular ainda é dominado por duas companhias privadas - a Movistar e a Digitel.
Nos últimos meses, as TVs oficiais têm divulgado gravações de telefonemas de opositores. Em novembro, o governo colombiano foi obrigado a chamar de volta seu cônsul em Maracaibo, Carlos Galvis, depois que Chávez colocou no ar uma conversa telefônica em que ele se dizia simpático ao novo governador opositor.
Ainda ontem, o governo sancionou a empresa de TV a cabo Directv, com três dias de fechamento, por falta de pagamento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
SARNEY, O ACADÊMICO DA CAMISETA, CELEBRA A ETIMOLOGIA
2009-06-25
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sarney-o-academico-da-camiseta-celebra-a-etimologia/
SARNEY, O ACADÊMICO DA CAMISETA, CELEBRA A ETIMOLOGIA
quinta-feira, 25 de junho de 2009 | 17:23
“As explicações do meu neto, pessoa extremamente qualificada com mestrado na Sorbonne e doutorado em Havard, são suficientes para mostrar a verdadeira face de uma campanha midiática para atingir-me na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo”.
A fala acima é do presidente do Senado, José Sarney, misturando, em trecho tão curto, alguns séculos de desmandos que tão bem caracterizam o Brasil, ora reciclados pelo lulo-petismo.
Se vocês não sabem, o neto do valente criou uma “empresa” para intermediar empréstimo consignado para funcionários do Senado. Neste tão vasto Brasil, aconteceu de a pessoa mais qualificada para fazê-lo ser justamente o… neto de Sarney. A palavra “nepotismo” deriva de “nepos”, no latim, que designa “neto”, mas também “sobrinho” — na verdade, toda a “parentaiada”. No italiano, “nipote” designa “neta” ou “neto”. A palavra entrou na nossa língua por intermédio do francês “népotisme”. Assim, em matéria de “nepotismo”, Sarney não faz por menos e inclui o neto mesmo.
Tá certo! Um acadêmico tem de respeitar a etimologia, não é mesmo? Seu fardão tem de ser aquela camiseta do Lobão.
Como se vê, a tese da “conspiração da mídia” agora está sendo usada também pela base aliada. Como Lula afirmou que Sarney não é um homem comum — e, convenham, é um avô incomuníssimo —, o velho oligarca aproveita o braço que lhe foi estendido pelo novo oligarca e busca se salvar.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Não tem cura: Sarney demite diretores e põe em uma das vagas ex-assessora da filha…
2009-06-23
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/nao-tem-cura-sarney-demite-diretores-e-poe-em-uma-das-vagas-ex-assessora-da-filha/
Não tem cura: Sarney demite diretores e põe em uma das vagas ex-assessora da filha…
terça-feira, 23 de junho de 2009 | 16:57
Por Eugênia Lopes, no Estadão Online:
O presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), acaba de convocar ao seu gabinete e demitir o diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, e o diretor de Recursos Humanos da Casa, Ralph Siqueira. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa de Sarney. Os dois diretores são suspeitos de participação no esquema de edição de atos secretos no Senado para nomeações ou para criação de cargos e privilégios.
O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), anunciou que Haroldo Tajra irá substituir provisoriamente Alexandre Gazineo no cargo de diretor-geral do Senado. Ele informou também que Dóris Peixoto será a nova diretora de Recursos Humanos no lugar de Ralph Siqueira. Dóris é ligada à família Sarney e foi chefe de gabinete de Roseana Sarney.
Ex-diretor adjunto desde 1995, Gazineo substituiu Agaciel Maia, em março último, mas sua situação ficou difícil depois de constatado que ele assinou a maior parte dos atos secretos. O servidor afirma que não participava nem da elaboração nem do encaminhamento dessas medidas sigilosas, que terminavam sendo engavetadas por Agaciel e pelo ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi. Os dois serão investigados na sindicância aberta por Sarney.
As demissões são medidas para conter a crise que atinge a Casa, mais recentemente marcada pela descoberta dos atos secretos, usados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários, revelados pelo Estado.
PETROBRAS E ALOPRADOS: COMEÇA A FICAR CLARO POR QUE ELES TÊM TANTO MEDO
2009-06-23
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/petrobras-e-aloprados-comeca-a-ficar-claro-por-que-eles-tem-tanto-medo/
PETROBRAS E ALOPRADOS: COMEÇA A FICAR CLARO POR QUE ELES TÊM TANTO MEDO
terça-feira, 23 de junho de 2009 | 15:48
A reportagem mais importante publicada hoje nos jornais está no caderno Brasil, da Folha, assinada por Fernando Barros de Mello. E diz respeito à Petrobras. José Carlos Espinoza, ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças de Lula em campanhas eleitorais, trabalha, desde abril de 2007, na sede da Petrobras em São Paulo. Quer dizer: trabalha mais ou menos. Parece que ele não costuma aparecer muito por lá.
Lembram-se dos tais 1.150 funcionários da empresa ligados à área de comunicação? A Petrobras se apressou em deixar claro que nem todos eram jornalistas. É verdade. Espinoza, por exemplo, não é. Ele só é um petista e um lulista diplomado. Sua função? “Interlocução com movimentos sociais”. Vocês sabem: é uma besteira achar que a Petrobras se limita a extrair e refinar petróleo. Sua principal função tem sido refinar ideologia.
O PT, como sempre sonhou Marilena Chaui, é mesmo “espinoziano”. O rapaz aparece envolvido no dossiê dos aloprados, lembram-se? Até hoje não se sabe a origem daqueles quase R$ 2 milhões apreendidos pela PF, transportados numa sacola por um assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). À época, Espinoza, apurou a VEJA, reuniu-se na Polícia Federal para debater ética — claro!!!— com Freud Godoy e Gedimar Passos, preso na operação. Depois da prisão dos aloprados, Spinoza cedeu seu apartamento para um encontro entre Godoy e o tesoureiro do PT.
O escândalo dos aloprados estourou em setembro de 2006. Em abril de 2007, sete meses depois, Espinoza já estava na Petrobras, contratado, na verdade, pela Protemp, uma empresa de mão-de-obra terceirizada que fica na emblemática Santo André. É a Protemp que presta serviços à Petrobras.
A reportagem, parece-me, ajuda a jogar luzes sobre o imbróglio dos aloprados e também explica o verdadeiro pânico que se tem de uma investigação séria na Petrobras. Espinoza é a evidência de que quem tem padrinho não morre pagão, não é mesmo? Ele era apenas uma das muitas pessoas do círculo de relacionamento pessoal de Lula envolvidas naquela maracutaia. E, como se nota, a Petrobras parece ser mesmo o grande guarda-chuva que abriga a companheirada.
O repórter da Folha quis saber qual era a sua intimidade com a área de comunicação e por que ele está lotado na Petrobras. E ele respondeu. Assim: “Por conta exatamente do meio de campo que foi pedido para eu fazer entre os movimentos sociais e a Petrobras. Conheço o José Rainha [dirigente do MST], o presidente da Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], o pessoal da Fetraf [Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar]“
Tudo claro como a luz do meio-dia de um céu sem nuvens
Domingo, 21 de Junho de 2009
Os insaciáveis - Senado paga mordomo da casa de Roseana Sarney. É a mordomia em sentido literal!
2009-06-20
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-insaciaveis-senado-paga-mordomo-da-casa-de-roseana-sarney-e-a-mordomia-em-sentido-literal/
Os insaciáveis - Senado paga mordomo da casa de Roseana Sarney. É a mordomia em sentido literal!
sábado, 20 de junho de 2009 | 7:07
No Estadão. Comento.
O Congresso abriga mais um exemplo ilustrativo do uso de dinheiro público para bancar despesas privadas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O mordomo da casa de sua filha, Roseana Sarney, ex-senadora e atual governadora do Maranhão, é um servidor pago pelo Senado.
Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como “Secreta”, é funcionário efetivo da instituição. Ganha, com gratificações, em torno de R$ 12 mil. Deveria trabalhar no Congresso, mas de 2003 para cá dá expediente a sete quilômetros dali, na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília.
“Secreta” é uma espécie de faz-tudo, quase um agregado da família. Cuida dos serviços de copa e cozinha, distribui ordens aos funcionários e organiza as recepções que Roseana promove quando está na cidade. Na manhã de ontem, o Estado procurou o servidor na casa da governadora. O empregado que atendeu informou que ele estava há dez dias em São Paulo, acompanhando Roseana. Ela ficou até ontem na capital paulista, onde passou por cirurgia para retirada de aneurisma.
A reportagem falou por telefone com outros funcionários da casa e com amigos da família, que confirmaram a lotação privada do servidor. Ontem, por telefone, a governadora descreveu as funções de Machado assim: “Ele é meu afilhado. Fui eu que o trouxe do Maranhão. Ele vai à casa quando preciso, uma duas ou três vezes por semana. É motorista noturno e é do Senado. E lá até ganha bem.”
Comento
É… Como diria Lula, os Sarneys não são pessoas comuns!
Sábado, 20 de Junho de 2009
À sombra da Constituição
2009-06-24
http://veja.abril.com.br/240609/p_058.shtml
À sombra da Constituição
Ao defender o senador José Sarney de denúncias de irregularidade, o presidente Lula cria no Brasil duas categorias de cidadão: os "comuns", nós, e os "incomuns", a quem tudo se permite
Otávio Cabral e Diego Escosteguy
Fotos Andre Dusek/AE e Ricardo Stuckert/PR![]() |
A VERDADE LIBERTA E FORTALECE |
Há meio século, quando o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira inaugurou Brasília, um coro de descontentes fez-se ouvir. Nada contra a arquitetura de gosto duvidoso da nova capital federal. O que se temia era a possibilidade de que, uma vez isolados no interior do país, longe da vigilância próxima e permanente dos cidadãos de uma metrópole como o Rio de Janeiro, antiga sede do governo, os políticos perdessem de uma vez a compostura e passassem a comportar-se como senhores feudais, acima das leis. Infelizmente, os descontentes revelaram-se proféticos. Brasília tornou-se uma ilha da fantasia para deputados e senadores, que usam seus cargos de representantes do povo para locupletar-se e obter vantagens para seus apaniguados. O corolário evidente é que a capital se transformou numa imagem de pesadelo para os que pagam a conta: nós, os milhões de contribuintes; nós, as dezenas de milhões de pessoas comuns. É tal o resumo da ópera brasiliense – eles, os poderosos, os "incomuns", se lixam cada vez mais para a opinião pública, para os bons modos, para a Constituição. Minam, assim, a crença na democracia e os alicerces de uma nação que almeja a civilização.
Esse espetáculo deprimente teve outra cena triste na semana passada. Seu protagonista: o presidente Lula. Desde que se viu na contingência política de ter de defender os crimes dos seus partidários envolvidos no mensalão, Lula teve de entregar a bandeira da ética – que ele empunhou com desenvoltura antes de chegar ao Palácio do Planalto. A rendição do presidente se deu naquela célebre entrevista concedida em Paris, em 2005, nos tempos em que a corrupção causava ainda algum constrangimento. Sem os corretivos vindos de cima, a turma do baixo, do médio e do alto clero da base aliada sentiu-se mais livre do que nunca. Sempre que um de seus integrantes está prestes a se afogar, eis que surge o presidente, solidário, oferecendo o conforto de suas palavras amigas. Nem precisa ser compadre de pitar cigarrilha, como o leal companheiro Delúbio Soares, estrela do mensalão. Pode ser do PMDB, do PP ou do PTB. Pode até ser, vá lá, um "grande ladrão", adjetivo com o qual Lula descrevia o senador José Sarney quando este era presidente da República. Há cinco meses o Congresso Nacional enfrenta uma infindável onda de escândalos. Ela envolve parlamentares e altos funcionários com mordomias, nepotismo e suspeitas de corrupção. Aos 79 anos de idade, 54 de política, Sarney, o mais longevo e experiente dos políticos brasileiros, é apontado como mentor e beneficiário da máquina clandestina que operava a burocracia do Senado. Inerte diante das denúncias, o senador tentou defender-se no plenário, com argumentos tão frágeis quanto os azulejos portugueses de São Luís. Do Cazaquistão, onde se encontrava em visita oficial, Lula atirou-lhe a boia.
Fotos Sergio Dutti/AE e Leonardo Costa/Esp. Em/D.A. Press![]() |
ROTEIRO DE IMPUNIDADE |
"O senador tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse o presidente. E continuou: "Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo no Brasil. Quando o Congresso foi desmoralizado e fechado, foi muito pior para a democracia". Não satisfeito, acrescentou: "Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim e depois não acontece nada". Ao afirmar que Sarney merece um tratamento diferenciado, o presidente atropelou o preceito constitucional expresso no artigo 5º, que estabelece a igualdade de todos perante a lei. "Lula foi absolutamente infeliz. Reforçou a ideia de que um é melhor do que o outro. Restabeleceu a lógica do ‘você sabe com quem está falando?’. Bateu de frente na Constituição e no princípio basilar da democracia", resume o historiador Marco Antonio Villa.
Dono de uma biografia comovente e de uma popularidade acachapante, Lula não parece preocupado com arranhões em sua imagem pessoal. Parece fiar-se nas cicatrizações promovidas pelo tempo. Espontâneo como nos tempos de sindicalista barbudão, ele não é, ainda, afeito a liturgias do cargo que ocupa. Nada disso representa um grande problema. A questão é que, no exercício da Presidência da República, Lula personifica muito mais do que o operário que chegou ao poder. Ele é ao mesmo tempo o mestre e o servo dos brasileiros ao se investir dos poderes de uma instituição, a Presidência da República. Entre seus inúmeros e vitais papéis está o de zelar pela Constituição. Ao declarar que Sarney é um personagem que paira sobre tudo e todos, o presidente da República foi bem além de cometer uma gafe pessoal. Ele feriu a Carta que jurou defender. E isso nem um presidente popular, simpático e bem-sucedido como Lula pode fazer impunemente.
Há uma mensagem perturbadora na recorrente retórica presidencial em defesa dos aliados envolvidos em escândalos: a minimização da corrupção, o estímulo à transgressão das regras e o aval à impunidade. A lista dos socorridos por Lula saiu direto dos escaninhos da polícia(veja o quadro). Há nela gente como o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, acusado pela PF de faturar propina. Ele recebeu uns belos cafunés de Lula, em agosto de 2008, num discurso a sindicalistas: "O que aconteceu com Paulinho já aconteceu com outros. Nessas horas, é momento de andar de cabeça erguida". A defesa do presidente deve ter tocado o coração dos deputados do Conselho de Ética da Câmara. Logo depois, eles inocentaram Paulinho. Outro notável da política brasileira que mereceu um paparico de Lula foi Renan Calheiros, do PMDB, quando vieram a público os rolos do senador alagoano com amantes, bois, lobistas e malas cheias de dinheiro – essas coisas de Brasília. No ápice do escândalo, há dois anos, o presidente entrou em cena para confundir a plateia: "Isso é um assunto que o Senado poderia ter resolvido em uma semana. Não sei por que não resolveram. É o típico caso de gente que acha que quanto pior, melhor. Estou vendo pela imprensa que o Renan apresenta documentos em sua defesa e não aceitam". Acabaram aceitando. Meses depois, os senadores inocentaram Renan.
É necessário cautela ao estabelecer uma relação automática de causa e efeito entre as declarações conciliadoras de Lula e a posterior pizza servida aos encalacrados. Seria um disparate afirmar que Renan foi absolvido diretamente em razão do que disse o presidente. Mas é ingenuidade acreditar que um fato esteja completamente dissociado do outro. Resta incontornável a percepção de que, todas as vezes em que o presidente se pronuncia a favor de um político enrolado (o que é frequente demais), o político enrolado safa-se (o que é tão frequente quanto).
Ana Araújo![]() |
RADICAIS CALADOS |
As declarações de Lula fortaleceram Sarney, que havia iniciado a semana passada na berlinda. Ele chegou a discutir a possibilidade de se afastar da presidência do Senado, como um último ato para resgatar sua biografia. Desde que deixou a Presidência da República, em 1990, Sarney elegeu-se senador e se transformou na principal liderança política do Congresso. Preside o Senado pela terceira vez e, nos intervalos entre um mandato e outro, ajudou a eleger apadrinhados, como Jader Barbalho (que renunciou por corrupção) e Renan Calheiros. É dele também a montagem da burocracia alvo dos últimos escândalos. Durante catorze anos, o ex-datilógrafo Agaciel Maia comandou a máquina que administra o Senado. Nomeado por Sarney e mantido no cargo por todos os presidentes que lhe sucederam, Agaciel foi afastado no início do ano quando se descobriu que ele era dono de uma mansão, não declarada ao Fisco, avaliada em 5 milhões de reais. Recentemente, soube-se também que Agaciel era responsável pela montagem de uma estrutura administrativa clandestina usada para contratar parentes, amigos e correligionários de senadores sem percorrer os caminhos normais da burocracia. Não se conhece a totalidade da lista dos beneficiados, mas já foram encontrados oito parentes do senador José Sarney entre os "secretas" parlamentares. A maior parte deles jamais pisou no Congresso. No último dia 10, em meio ao escândalo, Agaciel Maia casou a filha. Sarney foi padrinho.
Na véspera da declaração de apoio de Lula, o senador "incomum" subiu à tribuna. Em um discurso de pouco mais de meia hora, disse que a crise não é dele, mas de todo o Senado, e que não aceita ser julgado por questões menores, o que é uma "falta de respeito para quem tem mais de cinquenta anos de vida pública". VEJA ouviu uma centena de pessoas "comuns" em várias partes do país, para saber como receberam a defesa do tratamento diferenciado aos políticos proposto pelo presidente. As opiniões estão reproduzidas ao longo das páginas desta reportagem. Em 1890, Benjamin Constant, ardoroso republicano brasileiro, saiu de uma audiência com o marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil, indignado com o tratamento que lhe fora dispensado. "Não era esta a República com que eu sonhava", disse Constant. Mais de um século depois, é como se sua frase continuasse a ressoar entre os milhões de cidadãos que vivem sob o império da lei, sem privilégios e pagando a conta dos "incomuns" de Brasília.
Com reportagem de Expedito Filho, Naiara Magalhães, Natalia Manczyk, Leandro Beguoci, Leandro Narloch, Leonardo Coutinho (de Salvador), José Edward (de Manaus), Igor Paulin (de Porto Alegre), Ronaldo Soares, Carolina Vaisman, Kalleo Coura e Gabriele Jimenez
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
ELES GOSTAM É DE IMPRENSA NENHUMA
2009-06-19
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/eles-gostam-e-de-imprensa-nenhuma/
ELES GOSTAM É DE IMPRENSA NENHUMA
sexta-feira, 19 de junho de 2009 | 13:28
Recebi uma delicadeza emblemática de um desses petralhas que me amam, que não saem daqui, que não podem viver sem mim:
“Depois (sic) de tudo o que você escreve sobre Lula, ele deveria mesmo censurar (!) a imprensa. Ou você é pago só para falar mau (sic) dele. Será que a imprensa não pode ser também construtiva?”
Comento
Para falar “mau”, certamente não. Mas nem para falar mal nem para falar bem. É a revolução dos bichos em curso, alguém duvida? Os porcos estão cada vez mais assanhados.
É… Não esperava mesmo outra coisa dessa gente. Curioso é que ainda haja quem resista a constatar que o PT alimenta um ódio organizado, sistemático e contínuo daquilo que chama “mídia”. A fala de Lula sobre Sarney deixa isso muito claro. O que se noticiou sobre o Senado prescinde de interpretação, fala por si mesmo. Foram atos secretos, que beneficiaram uma penca de senadores, mas Sarney em especial. Mas, para Lula, tudo denuncismo.
Ele e os petistas querem uma imprensa “responsável”? Não! Eles querem uma imprensa a favor, o que quer dizer imprensa nenhuma.
Imprensa boa para Lula é a do Irã. Vejam como aquele país não dá bola para os golpistas que estão na rua, não é mesmo? Segundo o raciocínio de Lula, inteligente como uma porta, quem ganha com mais de 60% não pode ter fraudado eleições. Ele deve achar que a imprensa mundial exagera ao noticiar as suspeitas de fraude — “sem provas”, ele diria.
De que imprensa o PT gosta? De uma que tenha a cara de Tereza Cruvinel e a alma de Franklin Martins.
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
O irmão do chefe do cara da cueca, democracia, conservadores e esquerdistas
2009-06-18
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-irmao-do-chefe-do-cara-da-cueca-democracia-conservadores-e-esquerdistas/
O irmão do chefe do cara da cueca, democracia, conservadores e esquerdistas
quinta-feira, 18 de junho de 2009 | 16:27
O PT insiste nessa vigarice política que é promover manifestações contra a CPI da Petrobras. Um de seus organizadores é o deputado José Genoino, irmão do chefe daquele da cueca, que decidiu deixar a obscuridade em que havia mergulhado para esposar a causa.
Há duas questões a considerar aí:
1 – tudo indica que a Petrobras não pode ser investigada; o PT deve saber por quê;
2 – a máquina de propaganda petista decidiu agir agora como agiu no mensalão. Explico: naquele caso, transformaram um rosário de ilegalidades e falcatruas numa peça de resistência: “Conspiração! Golpe!”, gritaram. E a coisa foi bem-sucedida, com a ajuda da oposição, que não soube sair da armadilha. De novo, o mesmo procedimento: danem-se as irregularidades. A “defesa” da empresa virou campanha política, como se alguém quisesse atacá-la.
É o procedimento usual dessa gente, não? Lula, ao defender Sarney, está transformando irregularidades de alcance histórico em ativo político. Seria tudo “denuncismo” da mídia, como o mensalão, o dossiê da Casa Civil e as lambanças na Petrobras.
Lula já é a expressão da nova classe social, tese que lancei precocemente, com acerto óbvio, há alguns anos. Pertence à nova aristocracia brasileira, que é o sindicalismo, com sinais evidentes, inclusive, de fidalguia, hereditariedade e familismo. Mulheres, filhos, irmãos, parentes em geral, de líderes sindicais já iniciam a sua “carreira” no mundo da política ou dos negócios com vantagens evidentes — não é mesmo, Lulinha?
Esta nova aristocracia conseguiu se unir à velha aristocracia — constituída pelos Sarneys da vida durante o Regime Militar, com sobrevida garantida na transição democrática e, claro, nos governos seguintes (Sarney, Collor, Itamar e FHC), para compor o novo quadro social brasileiro da impunidade e da reprodução das desigualdades. E a maior de todas as desigualdades, mãe de todas as outras, é aquela que se estabelece diante da lei.
E é neste ponto que conservadores decentes se distinguem de, vá lá, esquerdistas decentes — sim, existem os bem-intencionados. Se a lei não distingue A e de B e é implacavelmente aplicada, a tendência é que desigualdades oriundas de privilégios desapareçam. Se, no entanto, pensa-se antes em construir a igualdade, ignorando, no processo, o triunfo da própria ordem legal, o que teremos? Exatamente isso que se vê hoje no Brasil:
a – a velha ordem se recicla, associada à nova, para garantir os privilégios que tinha antes;
b – a nova ordem se associa à velha para garantir o seu lugar de nova beneficiária da impunidade.
Entenderam?
Aquela conversa mole de que esquerdista é mais bacana porque está preocupado com a desigualdade, e direitista não chega a ser um bom sujeito porque não se ocupa dela é uma tolice (que o liberal Norberto Bobbio ajudou a espalhar num livrinho ligeiro e infeliz) ou vigarice intelectual, quando manipulada por aproveitadores e beneficiários dessa nova ordem.
Igualdade diante das leis democraticamente instituídas, seguindo à risca, pois, o estado de direito: eis o caminho que aponta para um horizonte virtuoso. Fora dele, o que se tem são injustiças novas se somando às antigas.
Mas fazer o quê? Temos um ministro de Justiça que confessa não ter cumprido uma ordem judicial porque discordou dela. E o faz com orgulho. Temos faculdades de direito, hoje, Brasil afora, em que estudantes são incitados por professores quase instruídos a desprezar a ordem legal em nome da legitimidade que determinadas causas teriam para grupos de pressão específicos.
O resultado é que o Brasil ficou apenas mais injusto. E vemos, então, congressistas como o tal irmão do chefe do cara da cueca organizar uma manifestação pública contra uma prerrogativa do Congresso a que ele próprio pertence.
Na boa, este textinho saiu melhor do que eu esperava… Peço atenção para a exposição de por que a igualdade perante é a lei é o centro irradiador de uma sociedade decente.
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Lula diz que não há prova de fraude no Irã e que quer visitar o país. E compara questão a jogo entre Vasco e Flamengo
2009-06-15
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-diz-que-nao-ha-prova-de-fraude-no-ira-e-que-quer-visitar-o-pais-e-compara-questao-a-jogo-entre-vasco-e-flamengo/
Lula diz que não há prova de fraude no Irã e que quer visitar o país. E compara questão a jogo entre Vasco e Flamengo
segunda-feira, 15 de junho de 2009 | 16:05
Por Pablo Uchoa, da BBC Brasil, no Estadão Online. Comento no post seguinte:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, em Genebra, que “não há provas” de que tenha havido fraude nas eleições iranianas e afirmou que pretende definir uma data para visitar o país no ano que vem. “Veja, o presidente [iraniano Mahmoud Ahmadinejad] teve uma votação de 61, 62%. É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude”, disse Lula em entrevista coletiva.
“Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos”, afirmou o presidente.
Lula afirmou ainda que a polêmica em torno da reeleição de Ahmadinejad não muda os planos de visitas entre representantes dos dois países.
Ahmadinejad cancelou uma visita ao Brasil marcada para maio passado, afirmando que queria esperar o fim do processo eleitoral no país. “Ele viria, pediu para esperar o processo eleitoral, mas pode vir na hora que quiser, eu recebo do mesmo jeito”, disse Lula.
Questionado se pretende ir ao Irã, o presidente também foi assertivo. “Eu pretendo ir ao Irã. Pretendo arrumar uma data para o ano que vem e fazer uma visita ao Irã porque nós temos interesses em construir parcerias com o Irã, em trocas comerciais com o Irã”, afirmou. “O Brasil vai fazer todas as incursões que precisarem ser feitas para estabelecer as melhores relações com todos os países do mundo, e o Irã é um deles.”
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Bernanke, the Competent
Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
A vigarice da (re)reeleição
2009-06-10
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-vigarice-da-rereeleicao/
A vigarice da (re)reeleição
quarta-feira, 10 de junho de 2009 | 21:55Na Folha Online. Volto depois:
A PEC (proposta de emenda constitucional) que permite o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou nesta quarta-feira seu relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. O presidente da comissão, deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF), escolheu o petista José Genoino (SP) para o posto. Tradicional aliado do presidente Lula e ex-presidente do PT, ele terá que dizer se o texto é ou não constitucional.
Genoino, em declarações recentes, rechaçou a proposta e disse que o terceiro mandato “é a candidatura da companheira Dilma’, em referência à pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), principal nome do PT para disputar a sucessão do presidente Lula.
Pelo regimento da Câmara, o petista não poderá fazer considerações sobre o mérito do texto. A PEC permite duas reeleições continuadas para prefeitos, governadores e presidente da República e também estabelece um referendo para consultar a população sobre o terceiro mandato.
Após a avaliação da CCJ, a precisa ter o mérito analisado por uma comissão especial que será criada para na seqüência ser encaminhada ao plenário, quando terá que conquistar o aval de 308 deputados, em dois turnos. Para ter efeito para as eleições de 2010, a proposta terá que ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até setembro, quando termina o prazo para mudanças na legislação eleitoral referentes à próxima disputa eleitoral.
O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), autor da PEC, disse que há espaço para aprovação do texto. Barreto espera conquistar o apoio oficial do PMDB, maior partido do Congresso, para fazer a proposta avançar. “Essa é uma discussão que precisa ser feita. Não só pelo trabalho do presidente Lula, mas também por outros governadores, prefeitos com boas avaliações e que merecem reconhecimento”, disse.
A proposta ainda corre o risco de ser engavetada pela própria CCJ. O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), apresentou um recurso defendendo o arquivamento da PEC, argumentando que Barreto “reciclou” assinaturas.
No entendimento da oposição, o deputado não poderia ter reaproveitado assinaturas da primeira lista de apoio ao texto, que foi rejeitada pela Secretaria-Geral da Mesa após a retirada de nomes. Ainda não há previsão de quando a CCJ vai analisar o caso.
Trata-se, claro, de uma brincadeira vagabunda e perigosa com a democracia. Se Lula quisesse, bastaria mandar seu aliado retirar a emenda. Mas ele não manda. Ao contrário: disse ontem que já está com saudade do poder… Dirá Genoino que é inconstitucional e pronto? Mas, então, por que não retirar aquela porcaria? Deixará que siga adiante? As oposições tentam evitar que emenda prospere, apontando outras fragilidades técnicas.
É impressionante que esse debate exista. Que destino contínuo é este que se revela nas trevas da América Latina? Digamos que Lula fosse tão virtuoso quanto ele acha que é quanto seus fãs mais entusiasmados asseveram. Por que não fazer, então, dessa aceitação mais um instrumento de exaltação da normalidade democrática? Não! Vem logo a tentação da perpetuação no poder.
Sim, sim, Lula não quer, não é? E, no entanto, a emenda está aí, patrocinada por um aliado seu e tendo como relator o ex-presidente do PT.
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
O NOSSO BLOG E O DELES: MAIS UMA FARSA REVELADA
2009-06-09
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-nosso-blog-e-o-deles-mais-uma-farsa-revelada/
O NOSSO BLOG E O DELES: MAIS UMA FARSA REVELADA
segunda-feira, 8 de junho de 2009 | 21:17Como vocês sabem, uma das coisas mais polêmicas relacionadas ao meu blog é o fato de eu declarar que não publico mensagens dos petralhas. E não publico mesmo! Quando algum passa pelo mata-burro, vou lá e caço, geralmente advertido pelos meus leitores. Isso não quer dizer, como vocês sabem, que eu não publique divergências. Trata-se de uma lenda urbana, conversa mole. Sobre os temas os mais diversos — aborto, Caetano Veloso, células-tronco, Igreja Católica, o diabo a quatro —, leitores divergem do blogueiro à vontade. Caço é campanha eleitoral. A razão é simples: se eu deixar, “eles” ocupam todo o espaço de comentários, como sempre. Afinal, sabemos todos, estão organizados mesmo, agem a soldo.
Mas “eles” não desistem. Não saem daqui. E me acusam, em seus blogs asquerosos, de praticar, vejam só, “censura”. E vociferam em defesa do que chamam “liberdade de expressão”. Uma pausa agora. Leiam o comentário enviado por um leitor. Volto em seguida:
Oi, Reinaldo, aqui é o seu correspondente em Nova York. Só para fazer um teste, coloquei a seguinte mensagem no tal blog da Petrobras:
“Ainda bem que não sou acionista da Petrobras!!!
Ficaria furioso em ver uma empresa gastando tempo e dinheiro em fofocas e censura à imprensa quando deveria fazer aquilo que os acionistas esperam que faça: cavar petróleo e ganhar dinheiro, nada mais do que isso!!!”
A mensagem foi postada às 5:58 (horário de Brasília, 4:58 aqui em NY). Ficou um tempão marcada como “mensagem aguardando moderação”, e adivinhem! A mensagem sumiu… Agora vou tomar um Alka-Seltzer para curar a gastrite de ler as asneiras petistóides escritas por lá!
Abraços e coragem
Wilson Julian.
Voltei
Viram só? Usando a linguagem deles, a Petrobras está “censurando”as vozes críticas. Por lá, não tem a “liberdade de expressão” que eles reivindicam aqui, não. E os que me criticam por supostamente censurá-los dizem o quê? “Está certo; é Isso mesmo; não tem de publicar as críticas no Blog da Petrobras coisa nenhuma!”
Entenderam?
Aí dirá um distraído: “Pô, Reinaldo, mas você está dizendo, de qualquer modo, que o seu blog e o do Petrobras, então, se igualam neste particular!?”
Não estou, não, leitor! O meu blog é, como é notório, um BLOG PRIVADO, de UM CIDADÃO PRIVADO. Não é o caso da Petrobras. Trata-se de uma empresa pública. Se ela cria um blog para receber opiniões, não pode fazer esse tipo de escrutínio. Vejam lá o comentário de Wilson Julian: o que há de ofensivo ali? Nada! Se petralhas fossem assim educados, conseguiriam emplacar comentários até aqui. Mas eles não conseguem. É contra a sua natureza. Adiante.
Revela-se, assim, a farsa desses caras. A grita generalizada que fazem por aí na Al Qaeda eletrônica se desmoraliza de modo monumental. Eu sempre soube que não era democracia o que queriam, mas apenas aparelhar o blog, emporcalhá-lo de oficialismo. Agora são eles mesmos que confessam a intenção. Não aceitam nem mesmo a divergência em seus blogs, mas pretendem emplacar aqui as suas baixarias.
O blog de uma empresa pública, eles tratam como coisa privada. Meu blog, que é privado, eles queriam expropriar.
Aqui não!
E-mails da Petrobras ameaçam jornalistas
2009-06-09
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/e-mails-da-petrobras-ameacam-jornalistas/
E-mails da Petrobras ameaçam jornalistas
segunda-feira, 8 de junho de 2009 | 18:58Atenção!
Não contente em divulgar no tal blog as perguntas enviadas pelos jornalistas, os e-mails da empresa ameaçam os profissionais com processos. Isto mesmo: processos. É inacreditável o que está em curso. De fato, nunca antes nestepaiz se viu algo parecido. Até agora, não vi uma miserável nota da Fenaj, a Federação Nacional dos Jornalistas. Nem da ABI, a Associação Brasileira de Imprensa. No próximo post, volto a essas duas entidades. Segue nota da Associação Nacional de Jornais.
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta seu repúdio pela atitude antiética e esquiva com que a Petrobras vem tratando os questionamentos que lhe são dirigidos pelos jornais brasileiros, em particular por O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, que nas últimas semanas publicaram reportagens sobre evidências de irregularidades e de favorecimento político em contratos assinados pela estatal e suas controladas.
Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes.
Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um “tratamento adequado”.
Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao democrático escrutínio de seus atos.
Júlio César Mesquita, vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão


