sexta-feira, 27 de novembro de 2009

DIAS SÓRDIDOS

Blog do Reinaldo Azevedo
2009-11-27
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dias-sordidos/

DIAS SÓRDIDOS


sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 5:35
É, meus caros leitores… Encarem este post até o fim!!!

Permito-me abrir este post verdadeiramente espantoso com algo que escrevi aqui há menos de uma semana: não me interessa a vida privada de homens públicos, a menos que ela esteja em contradição com a sua pregação e com as escolhas políticas que anunciam. Dito isso, adiante.

Vocês sabem quem é César Benjamin? Então começo por sua biografia sintetizada hoje na Folha de S. Paulo:
CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

Como se nota por sua biografia, Benjamin — conhecido por Cesinha — não é alguém por quem eu nutra qualquer simpatia ideológica. No arquivo, vocês encontrarão várias referências a ele e também à sua editora, que publica bons livros. À diferença do que dizem, sei manter divergências civilizadas com civilizados. Adiante.

A Folha publica hoje alguns textos sobre o filme hagiográfico “Lula, O Filho do Brasil”. Benjamin escreve um longo depoimento — íntegra aqui — em que narra todos os horrores que sofreu na cadeia, preso que foi aos 17 anos. Entre outras coisas, e sabemos que isto é tragicamente comum nas cadeias brasileiras até hoje, foi entregue para “ser usado” pelos presos comuns, o que, escreve ele, não aconteceu. E faz um texto que chega a ser comovido sobre o respeito que lhe dispensaram na cadeia.

Depois de narrar suas agruras, interrompe o fluxo da memória daquele passado mais distante para se fixar num mais recente, 1994, quando integrava a equipe que cuidava da campanha eleitoral de Lula na TV — no grupo, estava um marqueteiro americano importado por alguns petistas. E, agora, segue o texto estarrecedor de Benjamin sobre uma reunião.

(…)
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Num outro ponto se seu longo texto, Benjamin comenta o filme sobre a vida de Lula e lembra aqueles que não o molestaram na cadeia:

(…)
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

Voltei
Peço-lhes prudência nos comentários — mesmo! A política, no ritmo em que vai, está palmilhando todos os caminhos da sordidez, da abjeção, da absoluta falta de limites. Que alguém tenha notado que certas visões de mundo são úteis para vender papel higiênico expõe de modo galhofeiro e trágico o triunfo da vulgaridade: ancha, arrogante, bravateira.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Chinaglia diz que Jefferson falou sobre mensalão a Lula, mas nega conhecer esquema

Blog do Reinaldo Azevedo
2009-10-30
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/chinaglia-diz-que-jefferson-falou-sobre-mensalao-a-lula-mas-nega-conhecer-esquema/

Chinaglia diz que Jefferson falou sobre mensalão a Lula, mas nega conhecer esquema

quinta-feira, 29 de outubro de 2009 | 21:32

Leia o que vai abaixo. Comento em seguida:
Por Márcio Falcão, na Folha:
O ex-presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), confirmou nesta quinta-feira, em depoimento à Justiça Federal, que o presidente do PTB e deputado cassado Roberto Jefferson (RJ) revelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a existência do mensalão.

Chinaglia disse que tomou conhecimento do mensalão em dois momentos, sendo que um deles foi após a denúncia do escândalo pela imprensa e outro durante uma reunião com Jefferson no Palácio do Planalto.

“Tem um momento principal, quando a imprensa divulgou aquilo que o então deputado Roberto Jefferson denunciou, e faço referência a esse momento como principal porque lá ele apelidou de mensalão e ainda que ele fez um comentário ao presidente da República, e, entre outros, eu estava presente”, disse à Justiça.

Chinaglia, no entanto, sugeriu que o esquema nunca aconteceu. “Nunca soube de nenhuma denúncia de que houve compra de votos”, afirmou.

Após o testemunho, Chinaglia explicou aos jornalistas que a reunião ocorreu em março de 2005, e estavam presentes o presidente Lula, Jefferson, o ex-ministro Walfrido Mares Guia (Turismo), o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) José Múcio Monteiro — ex-líder do PTB —, e o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Na reunião, Jefferson levantou a questão do pagamento a parlamentares, o chamado mensalão. Segundo Chinaglia, o presidente Lula pediu que fosse apurada a denúncia. Após a reunião, a imprensa divulgou informações sobre a oferta de recursos aos parlamentares em troca de apoio político que teria partido do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Chinaglia, que na época era líder do PT na Câmara, disse que Teixeira negou relação com o caso, e na sequência foi aberta uma sindicância. O caso acabou arquivado porque nenhum parlamentar se manifestou.

Para o petista, o presidente Lula não sabia do esquema. “Não dá para acreditar [que Lula foi alertado]. A primeira reação é não acreditar. Naquele momento, ele [presidente Lula] orientou que eu e o Aldo verificássemos”, afirmou.

Na avaliação de Chinaglia, Lula não foi alertado. “Foi uma conversa inoportuna. Não era assunto para tratar com o presidente”, disse.

Chinaglia foi ouvido na condição de testemunha dos ex-deputados Pedro Corrêa ((PP-PE), José Janene (PP-PR), do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e de Jefferson — que estão entre os 39 réus do processo do mensalão.

Comento
Resumo da ópera: na melhor das hipóteses, então, Lula foi, sim alertado. E não por um parlamentar qualquer, mas por um dos mais destacados representantes da sua base de apoio: Roberto Jefferson. Na hipótese, então, de não saber de nada, o presidente preferiu dar de ombros ou cobrar aí uma investigaçãozinha qualquer, como quem diz: “Hoje é quinta-feira…”

Não entendi por que o deputado Chinaglia sugere que aquilo era uma atrapalhação, uma impertinência. Será que ele considerava coisa irrelevante para ser tratada com o presidente? Tratava-se nada menos no que a compra de parlamentares, coordenada pelo partido do presidente. É o que denunciou Jefferson. É o que está na denúncia da Procuradoria Geral da República.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Obama will bypass Congress to detain suspects indefinitely

rawstory.com
http://rawstory.com/blog/2009/09/obama-will-bypass-congress-to-detain-suspects-indefinitely/

2009-09-24

John Byrne
Raw Story
Septmeber 24, 2009

President Barack Obama has quietly decided to bypass Congress and allow the indefinite detention of terrorist suspects without charges.

The move, which was controversial when the idea was first floated in The Washington Post in May, has sparked serious concern among civil liberties advocates. Such a decision allows the president to unilaterally hold “combatants” without habeas corpus — a legal term literally meaning “you shall have the body” — which forces prosecutors to charge a suspect with a crime to justify the suspect’s detention.

Obama’s decision was buried on page A 23 of The New York Times’ New York edition on Thursday. It didn’t appear on that page in the national edition. (Meanwhile, the front page was graced with the story, “Richest Russian’s Newest Toy: An N.B.A. Team.”)

Rather than seek approval from Congress to hold some 50 Guantanamo detainees indefinitely, the administration has decided that it has the authority to hold the prisoners under broad-ranging legislation passed in the wake of Sept. 11, 2001. Former President George W. Bush frequently invoked this legislation as the justification for controversial legal actions — including the NSA’s warrantless wiretapping program.

“The administration will continue to hold the detainees without bringing them to trial based on the power it says it has under the Congressional resolution passed after the attacks of Sept. 11, 2001, authorizing the president to use force against forces of Al Qaeda and the Taliban,” the TimesPeter Baker writes. “In concluding that it does not need specific permission from Congress to hold detainees without charges, the Obama administration is adopting one of the arguments advanced by the Bush administration in years of debates about detention policies.”

(...)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Federal Reserve Accounts For 50% Of Q2 Treasury Purchases

zerohedge.com
2009-09-20
http://www.zerohedge.com/article/federal-reserve-accounts-50-q2-treasury-purchases

Federal Reserve Accounts For 50% Of Q2 Treasury Purchases

The degree of intermediation by the Federal Reserve in the issuance of US Treasuries hit a record in Q2, accounting for just under 50% of all net UST issuance absorption. This is a startling number, as the Fed's $164 billion in Q2 Treasury purchases dwarfs the combined foreign/household UST purchases of $101 billion and $29 billion, respectively, over the same time period. In fact, the Fed was a greater factor in UST demand than all three traditional players combined: Foreigners, Households and Primary Dealers, which amounted to a $158 billion in net Q2 purchases.

(...)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

A million march to US Capitol to protest against 'Obama the socialist

MailOnline
2009-09-14
http://www.dailymail.co.uk/news/worldnews/article-1213056/Up-million-march-US-Capitol-protest-Obamas-spending-tea-party-demonstration.html

As many as one million people flooded into Washington for a massive rally organised by conservatives claiming that President Obama is driving America towards socialism.

The size of the crowd - by far the biggest protest since the president took office in January - shocked the White House.

Demonstrators massed outside Capitol Hill after marching down Pennsylvania Avenue waving placards and chanting 'Enough, enough'.

Tens of thousands of people converged on Capitol Hill on Saturday to protest against government spending

Tens of thousands of people converged on Capitol Hill on Saturday to protest against government spending

Anatomy of an Economic Ignoramus

Mises.org
2009-09-10
http://mises.org/story/3695

Anatomy of an Economic Ignoramus

Mises Daily by | Posted on 9/10/2009 12:00:00 AM

Stanczyk by Jan Matejko
Stanczyk by Jan Matejko (1838–1893)

We all encounter more than our share of foolish blog posts. Most of the time you simply have to let them be. You could spend the rest of your life correcting drones and automatons who will never have an original or unconventional thought no matter how much you prod them. Their seventh-grade teacher, who was also the track coach, taught them what they know, and they're sticking to it.

Once in a while, though, for your own sake and for the sake of readers who suspect the post is all wrong but aren't quite sure why, you let loose with a full-blown response. And that's what I'm doing here in reaction to a blog entry called "Peter Schiff: Medicare Recipients Are Lazy People Who Refuse to Pay for Their Own Health Care."

This is longer than my usual pieces, but I hope I am not trying the reader's patience too much. In block quotes are the words of a blog author who identifies himself, interestingly enough, simply as "Che."

Here we go.

I love it when right wing economists talk about "market forces" and "letting the free market run our economy." They make it sound like the free market is some altruistic being that always knows exactly what to do and when to do it.

I do not know of anyone who subscribes to this junior-camper caricature. For one thing, no free-market economist is dumb enough to use a phrase like "letting the free market run our economy." The free market is merely the matrix of free exchanges entered into by individuals. How can a matrix of free exchanges "run" anything?

(...)

sábado, 5 de setembro de 2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Truth would destroy U.S. economic system, Fed warns

GATA.org
2009-08-27
http://www.gata.org/node/7729

Truth would destroy U.S. economic system, Fed warns
Section:

Fed Urges Secrecy for Banks in Bailout Programs

By Jonathan Stempel
Reuters
Thursday, August 27, 2009

http://www.reuters.com/article/marketsNews/idINN2732083820090827?rpc=44

NEW YORK -- The U.S. Federal Reserve asked a federal judge not to enforce her order that it reveal the names of the banks that have participated in its emergency lending programs and the sums they received, saying such disclosure would threaten the companies and the economy.

The central bank filed its request on Wednesday, two days after Chief Judge Loretta Preska of the U.S. District Court in Manhattan ruled in favor of Bloomberg News, which had sought information under the federal Freedom of Information Act.

Preska said the Fed failed to show that revealing the names would stigmatize the banks and result in "imminent competitive harm." The Fed asked the judge not to require disclosure while it readies an appeal.

"Immediate release of these documents will cause irreparable harm to these institutions and to the board's ability to effectively manage the current, and any future, financial crisis," the central bank argued.

It added that the public interest favors a delay, citing a potential for "significant harms that could befall not only private companies, but the economy as a whole" if the information were disclosed.

Underlying this case and a similar one involving News Corp.'s Fox News Network LLC is a question of how much the public has a right to know about how the government is bailing out a financial system in a crisis.

The Clearing House Association LLC, which represents banks, in a separate filing supported the Fed's call for a delay. It said speculation that banks' liquidity is drying up could cause runs on deposits, and trading partners to demand collateral.

"Survival can depend on the ephemeral nature of public confidence," Clearing House general counsel Norman Nelson wrote. "Experience in the banking industry has shown that when customers and market participants hear negative rumors about a bank, negative consequences inevitably flow."

The Clearing House said its members include ABN Amro Holding NV, Bank of America Corp, Bank of New York Mellon Corp., Citigroup Inc., Deutsche Bank AG, HSBC Holdings Plc, JPMorgan Chase & Co., UBS AG, U.S. Bancorp, and Wells Fargo & Co (WFC.N).

The case arose when two Bloomberg reporters submitted FOIA requests about actions the Fed took to shore up the financial system in 2007 and early 2008, including an expansion of lending programs and the sale of Bear Stearns Cos to JPMorgan.

The case is: Bloomberg LP v. Board of Governors of the Federal Reserve System, U.S. District Court, Southern District of New York (Manhattan), No. 08-9595.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A MULHER QUE AFRONTA DILMA

Blog do Reinaldo Azevedo
2009-08-09
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-mulher-que-afronta-dilma/

A MULHER QUE AFRONTA DILMA

domingo, 9 de agosto de 2009 | 7:59

A matéria mais importante do dia — e uma das mais importantes dos últimos tempos — está publicada hoje na Folha de S. Paulo (há quatro posts abaixo sobre o assunto). E estou aqui me perguntando, até agora, por que diabos não foi a manchete do jornal. Lina Viera, ex-secretária da Receita, promovida e demitida por razões escancaradamente políticas, diz em entrevista ao jornal que Dilma Rousseff, minitra-chefe da Casa Civil, a chamou em seu gabinete para pedir que a investigação que a Receita fazia nas contas da Família Sarney fosse “agilizada”. Lina não esconde o que queria dizer “agilizada”. Sim, leitor: que a investigação fosse deixada pra lá.

Lina diz que deixou o gabinete da superpoderosa e continuou a fazer o seu trabalho. A julgar pelo que aconteceu com ela depois, parece ser verdade, não é? Ela conta mais: levou um pito do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) porque teria municiado as oposições com artilharia contra a Petrobras naquele caso do pagamento menor de tributos. Não municiou, não. E ela diz por que não.

Entenderam? Uma ministra de Estado, candidata à Presidência da República — que nada tem a ver com a Receita, diga-se de passagem —, parece ter solicitado, de modo oblíquo, algo que não estava entre as atribuições da secretária da Receita: intervir politicamente numa investigação. No caso de Mercadante, ele estava furioso com Lina porque achou que ela se comportou de um modo partidariamente imprudente… Eles são os donos do poder. Tinham colocado Lina no posto porque acharam que poderiam praticar esse tipó de assédio.

E só para esclarecer uma referência acima. Lina chegou a chefiar a Receita por motivos políticos, sim. Era tida como ideologicamente afinada com o governo e próxima dos petistas. Então Guido Mantega decidiu lhe dar o cargo. Mas a mulher parece ter cometido a besteira, do ponto de vista dos petistas, de fazer o seu trabalho seguindo critérios puramente técnicos.

O mundo do PT é mesmo pelo avesso: nomeou Lina esperando contar com seus defeitos e a demitiu porque não suportou as suas qualidades.

Houvesse um Senado, Dilma seria convidada a dar explicações — em país sério, seria coisa de uma comissão de inquérito do Legislativo: é aquilo a que chamamos “CPI”. Um governo que manda a Receita aliviar a investigação de um aliado pode perfeitamente bem mandar perseguir um adversário. Francenildo, o caseiro, que o diga!

Lina não topou. Mas sempre há quem tope.

OS DONOS DO PODER 1 - Dilma tentou interferir em investigação em empresas dos Sarneys, diz ex-secretária da Receita

Blog do Reinaldo Azevedo
2009-08-09
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/os-donos-do-poder-1-dilma-tentou-interferir-em-investigacao-em-empresas-dos-sarneys-diz-ex-secretaria-da-receita/


OS DONOS DO PODER 1 - Dilma tentou interferir em investigação em empresas dos Sarneys, diz ex-secretária da Receita

domingo, 9 de agosto de 2009 | 7:55

Por Leonardo Souza e Andreza Matais, na Folha:
A ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira diz que, em um encontro a sós no final do ano passado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pediu a ela que a investigação realizada pelo órgão nas empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente.
A Folha obteve há três semanas a informação sobre o encontro e o pedido. Procurada pela reportagem, a ex-secretária confirmou. Ressaltou que não poderia dar detalhes sobre a auditoria, em respeito ao sigilo fiscal previsto no Código Tributário Nacional. Mas aceitou contar como teria sido a conversa com a ministra e pré-candidata à Presidência da República. A assessoria de Dilma diz que o encontro nunca ocorreu.
“Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney.” A ex-secretária disse que entendeu como um recado “para encerrar” a investigação, o que se recusou a fazer. “Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney.”
Segundo Lina, o pedido de Dilma ocorreu cerca de dois meses após o fisco ter recebido ordem judicial para devassar as empresas da família Sarney. Auditores da Receita ouvidos pela Folha dizem que uma fiscalização como essa pode levar anos. Encerrá-la abruptamente seria o mesmo que “aliviar” para os alvos da investigação.
Além do sigilo fiscal, inerente a todas as ações da Receita, a auditoria sobre o clã Sarney estava sob segredo de Justiça.
No final do ano, o Palácio do Planalto cuidava das articulações para a eleição à Presidência do Senado. Em público, Sarney negava a intenção de concorrer, embora se movesse nos bastidores. A candidatura foi anunciada em janeiro e, apoiada por Lula, acabou vitoriosa.
Sarney enfrenta hoje uma série de acusações de quebra de decoro por ter usado a máquina do Congresso em favor de parentes e aliados. Continua no cargo com o apoio de Lula.
A Folha contatou a Casa Civil quatro vezes para saber se a ministra Dilma confirmava o teor da conversa com Lina Vieira. Sua assessoria de imprensa, em conversas telefônicas e por e-mail, declarou que ela “jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita” e, mais, que a ministra “não se encontrou com ela”. “Não houve a alegada reunião”, escreveu a assessoria. Lina, por sua vez, diz se lembrar de detalhes: do cafezinho que tomou na antessala e do xale que Dilma vestia.
Conforme a Folha publicou no dia 25 de julho, a recusa de Lina em atender pedidos de políticos foi um dos fatores que levaram à sua demissão no dia 9. O motivo mais divulgado foi a divergência em público sobre a mudança de regime tributário feita pela Petrobras. Aqui

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lula, Sarney e Collor: juntos contra um inimigo comum

Blog do Reinaldo Azevedo
2009-08-07
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-sarney-e-collor-juntos-contra-um-inimigo-comum/

Lula, Sarney e Collor: juntos contra um inimigo comum

sexta-feira, 7 de agosto de 2009 | 16:23

Que a feitiçaria planaltina diga por aí que vai fazer o melhor uso da eventual permanência de Sarney, isso é do jogo. Essa gente está sempre ocupada em extrair o Bem do Mal e o Mal do Bem. Sendo que aquilo que lhes é Bem é, em essência, o Mal coletivo, e o Mal coletivo é tomado como a trilha da virtude. Daqui a pouco, a petralhada estará por aí a repetir o mantra de Fernando Collor de Mello, seu mais novo pensador: “A mídia (é preciso dizer isso trincando os dentes de ódio e rancor) quer derrubar Sarney”. Se Sarney fica, então a mídia perde. Como teria perdido ao noticiar o mensalão. Também naquele caso, tudo não passaria de uma mera disputa. Segundo eles, tratava-se de um esforço para depor Lula — cujo governo, claro, não fez nada de errado,

Bem, já está claro o que vem por aí. O subjornalismo de aluguel, diga-se de passagem — segundo alguns comentários enviados por leitores —, já está fazendo o seu serviço.

Como vejo a questão? Se o Mal deles é o nosso Bem, e o nosso Bem, o Mal que cultivam, então aplaudo a permanência de Sarney desde que jamais nos esqueçamos de dizer quem é ele e o que faz. Lula, agora, é Sarney; Sarney, agora, é Collor; Collor, agora, é Lula, que é Sarney, que…

É preciso lembrar ao país, agora e sempre, que Lula, no passado, lutou contra Sarney e contra Collor; que Collor, no passado, lutou contra Lula e contra Sarney; que Sarney, no passado, lutou contra Lula e contra Collor.

Lula, Sarney e Collor estão juntos. Eles têm um inimigo comum: O DECORO. Se eles estão todos do mesmo lado, do lado oposto, leitor e eleitor, ficou você.